procrastinação

Comece a se planejar amanhã, amanhã – O que é o viés da procrastinação?Tempo estimado: 4 minutos de leitura

Provavelmente você já procrastinou hoje em alguma atividade que precisava fazer ou até mesmo apertando a função soneca do seu celular. Saiba mais sobre o viés da procrastinação nesse artigo.

Lembra daquela sua listinha de coisas para fazer do começo do ano?

Pode ficar tranquilo que eu não irei entrar na questão de quantas metas você conseguiu realizar.

Aliás, eu entendo perfeitamente a sua situação.

As coisas parecem muito mais fáceis de serem conquistadas quando estamos naquele clima de virada de ano, mas, enfim, já estamos na metade do ano e por que será que sabotamos tanto nossos objetivos?

A razão para tal pode ser explicada pelo nosso hábito de procrastinar, ou seja, deixar sempre para amanhã todos os nossos afazeres acreditando que esse nosso eu futuro será capaz de solucionar todos os nossos problemas.

Freud falou uma vez que “o pensamento é o ensaio da ação” e longe de mim querer questionar algo que disse um dos maiores entendedores da mente humana que já existiram, mas muitas vezes existe uma distância muito grande entre esses dois pontos.

Joseph Ferrari é professor de psicologia na DePaul University nos EUA e estuda há mais de 20 anos o tema procrastinação. Para ele, se a pessoa ganhou o status de atrasado e está sempre adiando suas decisões e atividades, ela se tornou uma procrastinadora crônica:

“Essas pessoas com frequência demoram para iniciar e concluir tarefas, na vida pessoal e na profissional”.

O professor ainda diz que a procrastinação pode causar impactos emocionais como ansiedade ou arrependimento.

O grande problema é que por mais que as pessoas estejam cientes e sintam bastante desconforto, ainda sim acham complicado conseguir terminar suas tarefas, toda essa sensação negativa não parece ser suficiente para fazê-los agir com mais atenção aos prazos e ter um maior comprometimento.

Normalmente estamos cientes quando procrastinamos em alguma tarefa, mas parece que não conseguimos avaliar muito bem quais são as consequência da inércia para nossos objetivos.

De fato existe uma batalha interna em nossa cabeça, mas precisamente em nosso cérebro. Nosso córtex pré-frontal é uma região que fica bem na frente do nosso cérebro e é o responsável pelas decisões complexas que tomamos.

Quando temos que fazer uma escolha em relação ao nosso futuro, por exemplo, essa área é ativada.

Em contrapartida temos o nosso sistema límbico, que fica ao centro do nosso cérebro e é onde são formuladas nossas respostas emocionais.

Por exemplo, quando sentimos medo por acreditarmos que algo é uma ameaça, nosso sistema límbico é ativado e temos uma resposta automática a partir disso, é ele que nos mantém longe de perigos.

POR QUE PROCRASTINAMOS?

Algo que justifica esse conflito é que nossos ancestrais precisavam lidar com um ambiente de muito mais risco, por exemplo, eles precisavam se proteger de animais selvagens.

O sistema límbico é também conhecido como nosso cérebro primitivo, ele foi em boa parte responsável por manter povos mais primitivos vivos.

Outro ponto é que o pensamento de curto prazo para esses povos era muito importante, para eles pouco importava estar bem e confortável daqui a 30 ou 40 anos, eles precisavam se manter vivos naquele mesmo dia.

Isso fez com que nossos ancestrais dessem preferência a recompensas de curto prazo. Por exemplo, ao encontrar comida eles não se planejavam para ter aquele alimento durante mais semanas, o consumiam para ter energia suficiente para permanecerem fortes e vivos a maior quantidade de tempo possível.

Porém, hoje os tempos são outros e precisamos lidar com prazos. Quem tem uma postura mais imediatista acaba entrando em conflito e ficando para trás por não se planejar para os dias que virão.

Com a Reforma da Previdência, por exemplo, será necessário que as pessoas tenham mais autonomia dos seus planos futuros e comecem hoje a pensar no longo prazo, nos anos que não teremos tanta disposição para o trabalho e maior necessidade de renda.

Vimos que quem adia recompensas instantâneas para ter um futuro mais seguro possui grandes vantagens.

Ainda falando dos nossos ancestrais, aqueles que estocavam comida, muito provavelmente se deram melhor no longo prazo e perpetuaram seus genes. Em contrapartida aqueles que se importavam somente com o agora, posso apostar que não tiveram o mesmo sucesso.

Dan Ariely, cientista comportamental, professor da Universidade Duke e o maior fã de experimentos com humanos que eu já vi, testou com seus alunos qual estratégia era mais efetiva para acabar com o viés da procrastinação. Ariely conduziu um experimento em três turmas que lecionava e propôs formas de entrega de trabalho diferentes para esses grupos.

Ao primeiro grupo, foi dada a opção de escolher livremente os prazos para a entrega dos trabalhos do semestre.

Na segunda turma, o professor Ariely fixou apenas uma data final para a entrega da atividade, não haveria recompensas para quem terminasse antes, além do status de organizado.

Na terceira turma os prazos de todos os trabalhos foram fixados por Ariely, não haveria negociação para adiar o dia de entrega.

O resultado desse experimento mostrou que o terceiro grupo com prazos inegociáveis foi o que procrastinou menos, boa parte dos alunos entregou as tarefas nas datas combinadas. Parece que precisamos realmente de algum estímulo mais extremo para atendermos a prazos.

PROCRASTINAÇÃO E AS SUAS FINANÇAS

Vejo todos os dias pessoas com vontade de começar a se organizar financeiramente, mas parece que sempre existe uma pedra no meio do caminho, muitas vezes até uma  kryptonita. Muitos acreditam que os valores são altos ou que os termos são bastante complexos, outros ainda estão endividados e atrapalhados com suas prioridades. Por conta disso, muito acabam adiando essa tarefa, ou seja, procrastinando em algo tão importante para nosso amanhã.

Segundo levantamento feito pelo Datafolha, 65% dos brasileiros não poupam para o futuro, isso pode ser explicado pelo nosso imediatismo e baixa capacidade de projetar nosso amanhã.

Existe também a questão do Viés do Presente que diz que temos a tendência de dar um peso maior às gratificações imediatas, quando avaliamos uma escolha de dois períodos, como é a decisão entre consumir ou poupar e investir.

Entender as consequências de começar a investir hoje no seu futuro irá fazer total diferença.

Por isso, identifique e priorize seus sonhos e metas.

Então, pense no seu orçamento, procure informação de qualidade com profissionais competentes e estipule tempo necessário para alcançá-los, depois é só partir para ação. Chega de procrastinar!

*Este artigo foi pelo App Renda Fixa com exclusividade para o Psicologia Disruptiva. O App Renda Fixa é uma plataforma gratuita de busca e comparação de investimentos que te ajuda a tomar melhores decisões na hora de investir.

Quer ver vídeos que vão te ajudar na hora de investir e organizar as suas finanças? acompanhe o canal do APP Renda Fixa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *