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Nunca Mais Seja Enganado pelas Fake News!Tempo estimado: 3 minutos de leitura

Fui chamada pela minha professora da antiga faculdade para falar com os alunos do décimo semestre de Psicologia sobre o assunto Economia Comportamental.

Comecei a apresentação contando uma história – Na verdade, fazendo um sociodrama: 

Vamos imaginar que estamos no ano 1938 nos Estados Unidos.

Estamos há pouco menos de dez anos do início da Grande Depressão de 29 – a maior crise do capitalismo – que teve seu início no dia 29 de Outubro de 1929 e só veio a terminar após a Segunda Guerra Mundial.

Sofremos grandes perdas de patrimônio, alguns aqui foram grandes capitalistas e hoje estão se reerguendo, outros tinham o sonho americano que nunca chegou a se realizar.

Os Estados Unidos ainda têm que enfrentar uma realidade de 25% de desemprego.

Além disso, se não bastasse essa crise econômica, nos vemos na iminência de uma Segunda Guerra Mundial.

Enfim, a nossa situação é de tensão constante: sentimos que à qualquer momento alguma tragédia irá acontecer.

Bem, por sorte, ainda nos resta alguns momentos de lazer.

Como a televisão é algo extremamente novo e a nossa situação financeira não é a das melhores, nos divertimos reunindo a família na sala para ouvir a rádio.

É um domingo à noite…

Mais precisamente estamos no dia 30 de outubro de 1938, por volta das 8 horas da noite.

Nesse pequeno momento nós tentamos abstrair.

Baixamos a guarda:

Neste breve momento não queremos raciocinar muito, não queremos pensar na situação de crise que estamos passando, não queremos pensar no caos que está o nosso país.

Queremos alguns minutos para descansar ao lado de quem amamos, sem pensar em guerras ou crises.

Mas algo acontece:

Enquanto estamos ouvindo os maiores sucessos do momento  algo inesperado acontece:

-INTERROMPEMOS A PROGRAMAÇÃO-

A nossa música foi interrompida para um aviso:

Em Grovesmill, uma cidadezinha próxima de onde estamos, acabou de cair um meteoro!

Ok, ok, Grovesmill já é uma cidade onde acontecem coisas estranhas mesmo, mas vamos relaxar porque amanhã – para quem ainda tem um emprego – é dia de trabalhar.

A música volta…

Pouco tempo depois, o mesmo repórter retorna informando que não era um meteoro, na verdade era um cilindro metálico de onde uma máquina havia saído.

Então, a partir daí, começa a ser relatado um caso de invasão alienígena…

Final dessa história?

Algumas pessoas fugiram para as montanhas de Dakota do Sul, outras ergueram barreiras contra os alienígenas e em alguns casos pessoas se suicidaram.

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Guerra dos Mundos

Essa é a história de como um teatro de rádio conseguiu promover uma histeria coletiva.

Na verdade, tudo não passava de uma adaptação da obra Guerra dos Mundos em um formato de rádio.

Bem, muitas pessoas acreditam que a mobilização não foi tão grande quanto foi noticiada, mas uma coisa é certa:

Essa é uma das melhores histórias para se contar sobre fake news. 

O que dá força às Fake News ?

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Esse foi o tema que escolhi para introduzir a Economia Comportamental e falar sobre suas contribuições na investigação do comportamento humano.

Isso porque o interesse da Economia Comportamental nasce de 3 perguntas:

  1. Como as pessoas se comportam?
  2. Por que as pessoas se comportam assim?
  3. O que poderia mudar esse comportamento?

As fake news, por mais absurdas que sejam, têm conseguido seus adeptos.

Nesta realidade completamente digitalizada que vivemos, o compartilhamento de notícias falsas é tão rápido quanto prejudicial.

Diante deste fenômeno que mais parece uma bola de neve, a Economia Comportamental consegue identificar conceitos que fazem com que as notícias mais inacreditáveis sejam validadas pela maioria das pessoas e ganhem cada vez mais força.

Confirmação de evidência

Quando estamos mais inclinados a acreditar em determinada notícia, a nossa tendência é buscar aquelas informações que confirmam nosso posicionamento preferido.

A Economia Comportamental chama essa inclinação de Viés da Confirmação de evidência.

Atualmente é muito comum vermos fake news ganhando força graças à essa tendência.

Esses meses que antecederam as eleições foram um verdadeiro laboratório para quem gosta de Economia Comportamental.

Não é necessário ser muito observador para notar a quantidade absurda de fake news que se espalharam pelas redes sociais.

Por exemplo, o eleitor do partido X acreditava nas notícias falsas contra o partido Y e difundia as mentiras com mais facilidade, ao passo que quando as notícias ruins eram contra o seu candidato, a tendência era buscar refutá-las. 

Efeito da adesão

O efeito da adesão consiste na tendência de fazer ou acreditar em algo em que a maioria das pessoas faz ou acredita. Esse viés é também chamado de efeito manada.

Essa imagem eu criei no Photoshop para exemplificar aos alunos como se dá o efeito da adesão nas redes sociais.

Em termos práticos, é muito fácil notar o peso que um post tem, levando em consideração a quantidade de engajamento que recebe.

Quanto mais atenção é dada às fake news, mais poderosas elas se tornam.

Concluindo

  • Com a possibilidade de ter notícias tão facilmente compartilháveis, é necessário tomar muito cuidado. Uma notícia falsa espalhada pode prejudicar a vida de muitas pessoas em questão de minutos.
  • Ao receber uma notícia e decidir se irá acreditar ou não, lembre-se da tendência da confirmação de evidência.
  • Nem sempre o que a maioria escolhe é a melhor opção. O efeito manada é muito responsável por validar as notícias mais absurdas.

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