Como Escrever Bem: 6 Dicas da Economia Comportamental


Escrever sempre foi uma das minhas maiores paixões.

Aos dez anos eu já adaptava peças de teatro para apresentações da escola.

Eu gostava de brincar com as palavras. Já percebia – claro, de uma forma bem menos aguçada – as sutilezas que as mudanças de palavras poderiam sugerir.

Com o passar do tempo comecei a escrever com mais frequência e adquirindo mais habilidade.

De contos a trabalhos acadêmicos, ali estava a escrita mostrando o caminho que eu queria que o leitor percorresse.

Certamente existem várias formas de escrever, várias finalidades, etc.

O que é interessante, por exemplo, para um artigo acadêmico pode não se aplicar a um conto, vice-versa.

No entanto, algo que observei quando comecei a estudar Economia Comportamental foi que algumas características costumam convergir quando o assunto é um bom texto.

Atualmente costumo estruturar meus textos com base em algumas lições da Economia Comportamental e gostaria de compartilhar algumas das estratégias que utilizo quando penso em redigir um texto.

Ah, antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que o essencial – antes de aplicar quaisquer técnicas – é saber Português. Uma boa estrutura em um texto cheio de erros de Português pode perder todo o poder de convencimento.

Se você acredita que precisa melhorar o seu Português para construir textos mais poderosos, indico o curso Português Prático. 

Efeito Framing

Efeito framing, também conhecido por enquadramento, é o efeito que faz com que uma determinada escolha seja influenciada pela forma como é mostrado o cenário.

Copo meio cheio ou meio vazio? Como vai apresentar uma situação?

Tenha em mente que tudo o que fazemos envolve tomada de decisão e em um texto não é diferente.

A cada linha que lemos algum texto, estamos tomando a decisão de continuar lendo.

Deste modo, é preciso conduzir o texto de forma em que o “enquadramento” facilite ao leitor que tome a decisão de continuar a leitura.

Como fazer isso? Tenho algumas dicas!

Dica #1 – Conte histórias

Todos nós amamos boas histórias!

Pense bem, quantas vezes hoje você ouviu ou leu alguma história?

Seja uma notícia, uma anedota ou até mesmo um simples meme.

Somos fascinados por Storytelling.

Ouvir histórias é divertido e didático.

Histórias mexem com nosso imaginário, nos inspira e nos deixa curiosos.

Use histórias sempre que houver um caso interessante relacionado ao que você deseja expor e veja como as pessoas apreciarão seu texto.

Leia mais sobre Storytelling >> aqui <<

Dica #2 – Use analogias e associações

Analogias e associações são ferramentas muito didáticas.

Textos que possuem essas ferramentas costumam ser mais claros e práticos.

Exemplificar o que se pretende passar é muito importante para que você consiga manter a atenção do leitor.

Quando o assunto é de muita complexidade ou não parece importar na prática do cotidiano do leitor, a atenção ao assunto tende a diminuir porque o gasto energético é muito maior para compreender o novo assunto sem exemplos práticos, analogias e associações.

No meetup de Economia Comportamental que aconteceu aqui em Brasília nesse mês eu estava conversando com um  novo entusiasta da área, ele falou sobre o viés da Ancoragem (quando vemos o valor de algo de acordo com a primeira informação que recebemos, veja mais em >> 7 Armadilhas Psicológicas Que Afetam Nossas Decisões << )

” Sabe onde vemos muito esse viés? Naquele programa Trato feito, já viu?” perguntei,

Ele disse: ” Nossa, é verdade.”

Imagem relacionada

E assim começamos a conversar sobre este viés.

Dica #3 – É sobre o outro, não sobre você

Outra questão muito importante é com quem você quer falar.

Qual o seu público?

Se você escreve, certamente vai querer que alguém aprecie.

Independente de para quem você fala, é importante mostrar que o seu texto tem valor para a pessoa.

É certo que em alguns tipos de texto a impessoalidade é uma característica imutável, logo, utilizar “você ” não convém, por exemplo, em um artigo acadêmico.

Mas em textos que possam ter mais pessoalidade, convém falar diretamente com o seu leitor e fazer dele o protagonista do seu texto.

Pense ” Como posso agregar ao meu leitor?” e construa o seu texto em cima desta perspectiva, os seus leitores irão valorizar muito!

Dica #4 – Seja simples

A simplicidade vence.

Todas as nossas decisões são baseadas em 2 sistemas, o sistema rápido e o devagar.

O sistema rápido – também chamado sistema 1 – é responsável pela maioria das atitudes que tomamos em nosso cotidiano, ele é baseado em nossas emoções, sentimentos, vieses e heurísticas. Ele gasta muito menos energia que o sistema 2, lógico e analítico.

Tudo bem, mas qual o ponto em questão?

Acontece que pensar demais causa desprazer – se você fizer o seu leitor pensar demais para compreender  seu texto ele pode simplesmente abandonar. E você não quer isso, não é?

A complexidade de um texto – que poderia ser mais fácil – pode ser uma grande barreira entre as suas ideias e os seus leitores.

Dica #5 – Se possível, ofereça mais do que prometeu

Quantas vezes você já se sentiu frustado por ler um título que sugeria uma coisa e era outra.

Ruim, não é?

Em hipótese alguma prometa mais no texto do que você tem a oferecer. 

Inclusive, se possível, entregar mais do que o prometido é o ideal. 

Se além de passar uma informação valiosa você – por exemplo – oferecer dicas sobre como a pessoa pode se beneficiar efetivamente com essas informações, você ganhará a gratidão e o reconhecimento daquela pessoa.

O princípio da reciprocidade é extremamente poderoso e você pode ver que seus textos assim terão mais sucesso.

Leia mais sobre esse princípio aqui >>  Gentileza Gera Gentileza <<

Dica #6 – Cite autoridades no assunto

Autoridades devem ser creditadas com relação a um assunto específico.

Antes de tudo por uma questão ética, depois porque você fornece a possibilidade do leitor se aprofundar ao buscar novas fontes.

O princípio da autoridade pode te ajudar a corroborar o que você pretender passar ao leitor.

Ao citar uma autoridade no assunto, as pessoas tendem a diminuir suas desconfianças com relação ao que é dito.

Sabendo disso é importante – repetindo – antes de tudo, levar em consideração a ética de – ao citar uma autoridade no assunto – prezar pela veracidade do que é exposto.

Como Escrever Bem – Infográfico

como escrever bem

Conclusão

Uma boa escrita vem de uma prática em leitura e escrita, mas também depende de uma boa estrutura, articulação de ideias e de saber fazer com que os leitores se apaixonem pelo que você escreve. A Economia Comportamental, como mostrei neste post, pode mostrar alguns caminhos muito interessantes que podemos seguir ao escrevermos textos.

Use sua criatividade: conte histórias, exemplos, analogias, seja simples e, acima de tudo, tenha responsabilidade sobre tudo o que escreveu: seja ético.

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